O aroma do vento é como uma lembrança
sábado, 21 de janeiro de 2023
quinta-feira, 12 de janeiro de 2023
Seria a depressão uma nova luz no horizonte?
Morrer não é um problema. A morte física é o encerramento de um ciclo biológico. Qual seja o nosso destino, a consciência, a que tudo indica, adormece, se transmuta, não mais é. Morrer verdadeiramente implica a renúncia de nossos sonhos, nossas aspirações, nossos objetivos. Em outras palavras, morrer verdadeiramente significa esperar passivamente pela morte física. Quantos de nós não estamos mortos, ainda que respirando?
Ouso dizer que não existe dor maior que viver uma vida nula. Uma vida desprovida de sentido. Nesse
estado, a razão se volta contra o homem como uma arma letal. Ela impulsiona os pensamentos
doentis, lhes confere força, legitimidade. Não devemos legitimar aquilo que
pensamos quando estamos distantes de nós mesmos. Se não disciplinarmos nossa
mente e corpo para lidar com as tempestades da vida, o sofrimento é eterno -
continuaremos a velejar num mar revolto, esperançosos de que, eventualmente, o
barco afunde de vez.
Sente-se, não sem frequência, o desejo de que ele toque o fundo do vasto
oceano. Como se alcançar o abismo fosse uma manobra desesperada por uma
profundidade esquecida. Que o barco seja levado pela tempestade, e com ele,
tudo o mais – o mar, a embarcação, os tripulantes. Dormir e não mais acordar –
um sono sem sonhos...seria esse o quadro a que chamamos ‘morte’?
Para atribuir um sentido profundo à nossa existência é preciso que resgatemos a
criança que habita em nós. Porque quando crianças a nossa mente ainda não se
identificou com nenhum aspecto de nós mesmos – somos livre para sermos o que
quisermos. A imaginação, o descaso com a opinião alheia, a liberdade de criação
de novos horizontes possíveis...tudo isso é sublimado pelas exigências de uma
vida cotidiana.
Todavia, na medida em que envelhecemos, esquecemos. Parece mesmo que temos que ‘ser’
uma ‘coisa só’ – atribuir a nós um título, uma profissão, um meio de ‘ganhar a
vida’. A identificação com esses títulos muitas vezes se traduz num
esquecimento, socialmente administrado, de nossas diferentes habilidades. A
memória parece, portanto, ter um papel fundamental na construção de nossa
felicidade. Tanto é assim que um dos sintomas mais comuns àqueles que sofrem de
depressão é o esquecimento gradativo de suas próprias potencialidades
emergentes. Esquecer a si é consequência direta de um olhar desesperançoso. Esquecer
a si mesmo é a verdadeira morte do homem - que absolutamente nada é em si, além
daquilo que faz de si.
A ideia de ‘conquistar nosso espaço’ implica que devemos antes nos firmar social
e individualmente como ‘x’ e exercer a função ‘x’. Somente então teremos ‘conquistado’
o nosso lugar. Porque é uma competição, a existência em meio aos demais supõe competir
com os demais. Em outras palavras, existir em sociedade implica estabelecer uma
relação de poder marcada pela suposta ‘superioridade’ de capacidade de uns em
relação aos outros. Apenas por meio do trabalho pode o homem sentir-se útil. Sentir-se
útil – ou inútil – eis o início da ascensão e declínio do homem e da sua
capacidade de sonhar.
sexta-feira, 16 de setembro de 2022
Há em mim
um reflexo crepuscular de luz mortiça
uma nebulosidade acentuada
uma morosidade velada
.
.
.
eis me aqui - partido
nessa casa que me abriga e me devora
eis me aqui - cindido
lembrando a calma crepuscular da Aurora
e entre as escolhas, me demoro
insípido, difuso, irreal
.
.
.
Amar é abandonar a si mesmo
nos olhos infinitos da eternidade
quinta-feira, 4 de agosto de 2022
Somos filhos dos céus e estamos entre o vazio, a luz e a matéria. Quando morremos nos integramos à terra, que é a nossa morada, e damos continuidade ao ciclo eterno do início e fim da matéria, composição e decomposição energética. Ao cessarmos não carregamos nada conosco, e deixamos apenas sementes no coração de quem amamos. Não há um único ser que exista na teia da vida cuja existência não afete as demais. E qual seria meu propósito senão o de afetar positivamente o máximo de vidas possíveis? Aprender a escutar a natureza, que é mãe de todos nós. Atentar-se à sua mensagem. Compreender a importância de persistir no caminho: se a vida, em si, é colaborativa, por qual razão tomamos o rumo diverso?
Eu amei a ti: esse amor ainda existe.
Ainda não se extinguiu em minha alma.
Amei como uma criança.
E na maioridade dei-me conta disso:
Não falo do Amor como uma espécie de
cobrança
tampouco lhe confesso na esperança de uma
união
pretendo somente cantar, embuído da mais
terna sinceridade
a profundidade daquilo que sinto;
Não quero entristecer-te de nenhuma forma.
Não pretendo trazer lágrima aos teus olhos.
Quero que teu coração repouse em paz
Na declaração silenciosa que traço.
Estou feliz. Estou resoluto.
E não saberia dizer o quanto de ti há nisso
tudo.
Mas sei que neste poema há tudo de ti.
Queria que você, de todo, levasse isto:
Saber que te amei - e amo, silenciosamente,
sem esperança.
Te amarei silenciosamente enquanto houver
amanhã
pois não deixamos de amar aquilo que
verdadeiramente amamos...
E, ainda que de vez em quando confuso,
de vez em quando com ciúmes
de vez em quando azul
Ainda assim,
continuarei a te amar...
Por que a vida é breve Pita...
E a paixão...
mais breve ainda.
quinta-feira, 9 de junho de 2022
Deixemos que o coração nos mostre o caminho
O poeta navega em direção a Verdade
em teus versos de inquietude.
E da janela de teu quarto, amiúde,
ele sente uma certa comoção.
Mas alçar o sentido do inexprimível?
Quanta pretensão!
Como o fazê-lo
se as palavras não passam
de mera falsificação?
É que o poeta as vezes se esquece,
que a Verdade é como uma prece,
que escutamos com o coração.