segunda-feira, 23 de agosto de 2021

"Introdução à Metafísica", M. Heidegger, 1935

''Quando o recanto mais remoto do globo tiver sido conquistado pela técnica e explorado pela economia, quando um qualquer acontecimento se tiver tornado acessível em qualquer lugar a qualquer hora e com uma rapidez qualquer, quando se puder “viver” simultaneamente um atentado a um rei na França e um concerto sinfônico em Tóquio, quando o tempo for apenas rapidez, momentaneidade e simultaneidade e o tempo enquanto História tiver de todo desaparecido da existência de todos os povos, quando o pugilista for considerado o grande homem de um povo, quando os milhões de manifestantes constituírem um triunfo – então, mesmo então continuará a pairar e estender-se, como um fantasma sobre toda esta maldição, a questão: para quê? – para onde? – e depois, o que? O declínio espiritual da terra está tão avançado que os povos ameaçam perder a sua última força espiritual que [no que concerne o destino do “Ser”] permite sequer ver e avaliar o declínio como tal. Esta simples constatação nada tem a ver com um pessimismo cultural, nem tão-pouco, como é óbvio, com um otimismo; pois o obscurecimento do mundo, a fuga dos deuses, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odienta contra tudo que é criador e livre, atingiu, em toda a terra, proporções tais que categorias tão infantis como pessimismo e otimismo já há muito se tornaram ridículas''


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Tudo ao redor pulsa

 Tudo ao redor pulsa

o ponto, a linha, a curva
os trajes, o pó, a bagunça
a ordem, a pia, um vaso de flor qualquer...
é necessário calma
observar além
compreender que o Todo
é incompreensível
as partes, no entanto
compõem frases inaudíveis
de um Nada
que é Tudo.
Então, aceitar
transmutar
desvelar
nos sonhos
vosso misterioso conhecimento do além

domingo, 24 de janeiro de 2021

Uma estrelinha chamada Rata

No céu hoje nasce uma estrela.
Pequena, como o corpo que habitava.
pequena...no entanto luminosa!
a mais luminosa do céu de Pelotas.
Seu nome: Rata, vulgo ratinha, a cadelinha mimosa.
Apesar do tamanho, tinha personalidade forte e enfrentava quem quer que fôsse!
quando ainda criança, foi difícil para Rata desenvolver-se.
Seus irmãos roubavam-lhe a comida. Mas ela se adaptou, tal qual todo bom sobrevivente.
depois de um tempo, na hora do rancho, ai de quem mexesse em seu prato...
Ela possuia um jeito único de impor sua presença. Os cachorros a respeitavam.
Rata era travessa - e também muito amorosa. Seu nome se refere não apenas ao tamanho, como também a uma característica de sua personalidade que se sobressaía aos demais: o roubo.
Rata era ladra. Adorava pegar um chinelo esquecido sobre o tapete externo, ou deixado para trás em algum canto do pátio. Pior: além de ladra, ela invadia residências. Se a porta ficasse aberta - ainda que entre-aberta - ela não perdoaria. O que estivesse lá dentro e fôsse de seu interesse acabaria sob seus domínios.
Quando aprontava, cerrava os olhos, inclinava levemente a cabeça para baixo, como quem diz que sente muito, e desenhava, no canto do focinho, uma espécie de sorriso
uma espécie de carisma
que só ela tinha.
Tudo que nasce, nasce para um dia retornar de onde veio.
Rata se foi. Nesse plano, como tudo que é vivo, cessou. Cessou sendo a senha para outra vida. Na tarefa que a natureza lhe imcubiu como sina e privilégio: ser mãe.
Rata, nossa cadelinha. Pode ter ido, mas deixou muita, muita saudade.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

TAREFA

A tarefa que nos impõe a vida
é a de abraçar o vento
semear o invisivel
e compor
no traço do tempo
linhas que se cruzam pela eternidade

Caso contrário adoecemos
paralisados em nossas fortalezas
de certezas duvidosas
mergulhados em memórias
no excesso do passado

e quando notamos, 
estamos alheios a nós
despidos de sonhos
prostrados nas horas cinzas
renunciando o futuro
a renovação

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

domingo, 5 de julho de 2020

Anoitece

Anoitece
e resquícios de luz clareiam memórias
paisagens nebulosas no divagar do tempo
espaço de lembranças do amor

 Anoitece
te vejo no tumultuar de corpos afora
 parece de verdade que os edifícios murmuram teu nome
e as esquinas proferem aromas
daquela noite que não acabou

quarta-feira, 10 de junho de 2020

reveste teus sonhos
com o manto do acreditar
desperta teu fogo
com faíscas de paixão
vives, intensamente,
pois a morte, meus amigos,
está a dois passos de distância
e nunca se sabe quando é cedo
ou tarde demais
para recomeçar