O poeta navega em direção a Verdade
em teus versos de inquietude.
E da janela de teu quarto, amiúde,
ele sente uma certa comoção.
Mas alçar o sentido do inexprimível?
Quanta pretensão!
Como o fazê-lo
se as palavras não passam
de mera falsificação?
É que o poeta as vezes se esquece,
que a Verdade é como uma prece,
que escutamos com o coração.
quinta-feira, 9 de junho de 2022
Deixemos que o coração nos mostre o caminho
terça-feira, 28 de setembro de 2021
28 09
A singularidade de nossas experiências marcam com clareza o abismo que existe entre o pensar e o falar.
Enquanto falo, falsifico o que é; enquanto calo, verifico o que está.
Então reside aqui, no poema, o verdadeiro acesso ao que é.
A tarefa é a de saber quando falar e quando calar. Quando ouvir é mais importante que dizer.
Tornar-se "Homem" significa tornar-se capaz de decidir sobre o próprio destino.
É a maioridade Kantiana. A saída do homem de sua menoridade, da qual ele mesmo é responsável.
E como realizar esse movimento sem que antes abandonemos o que nos torna infantis?
O abandono pressupõe a aquisição de novos hábitos, novas histórias capazes de criar outros destinos.
Na senda do destino, é preciso acreditar que apesar da tortuosidade de nosso caminho ele é o nosso caminho.
Que é precisamente por ser nosso que devemos segui-lo com felicidade.
Aceitar nosso destino.
Aceitar as dores do tempo. Do crescimento, dos processos. Afinal, a vida sempre foi a mesma, somos nós quem mudamos.
A todo tempo mudamos, e o forma que assumimos no decorrer do tempo são o reflexo daquilo que fazemos no agora.
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
28 de março de 2020
O bem mais precioso que possuímos é a vida. A verdadeira face do Covid-19 revela-se: são inúmeros países infectados em uma velocidade assombrosa, medidas de contenção do vírus antecipadamente instauradas e medidas de assistência à população, sobretudo aos trabalhadores autônomos e informais, decretadas. No Brasil, estamos caminhando contra a maré de uma lógica selvagem, defendendo (por incrível que pareça) o óbvio, a fim de resguardar a saúde e o bem-estar daqueles que amamos e dependemos. Isso tudo porque não temos uma liderança. O que temos, senhores, é um apelo ao caos. Não percebem que negar o vírus é fomentar seu crescimento? Não percebem que os discursos de nosso presidente servirão para intensificar o número de infectados? A economia vai sofrer com a crise. É inevitável. Mas escolher se ela vai levar (além de sua renda mensal) um de seus familiares, cabe a você.
Quanto vale o seu dinheiro quando o sistema de saúde colapsar pela falta de leitos e equipamentos, quando aqueles que você ama derem o último suspiro rouco, agonizante, abafado? Perceberá então que "a gripezinha" se tornou sua prioridade, e que a vida dos que você ama nada valem se eles não estiverem mais entre nós.
A arte como sublimação
Wittgenstein
também leu Schopenhauer
Wittgenstein
assume, com relação a (im)possibilidade da coisa-em-si (noumenon) ser objeto de
conhecimento científico: 'I am aware of the complete unclarity of all these
sentences' p.25. (...) ‘There are, indeed, things that cannot be put into
words. They make themselves manifest. They are what is mystical¹.’ p.26
O curioso
é que o filósofo austríaco adota, em referência ao assunto, a frase Latina
usada por Espinosa: 'sup specie aertenitatis²'
Mais
curioso ainda é notar que o 'cavaleiro solitário' havia, anos antes, aludido à mesma frase, em sentido semelhante: "Também nela pensava
Espinosa ao escrever: mens aeterna est, quatenus res sub aeternitatis
specie concipit³' (Ética V, prop. 31, schol.) (Mundo como Vontade e
Representação, Cap. III, p.30.)
Para ambos
os autores é possível, a partir da contemplação artística, intuir a essência
das coisas, i.e, as ideias eternas, mediante o esquecimento de si, o
'sublimar-se' a si mesmo como indivíduo.
O 'homem
dos evangelhos' e o 'cavaleiro solitário', com divergências marcantes em seu
pensamento e vida, chegaram às mesmas conclusões em suas investigações
ontológicas: o prazer estético, que corresponde ao conhecimento intuitivo,
transcende, i.e, se situa além dos limites do conhecimento científico; enquanto
atemporal, por isso mesmo eterno, liberto de todas as relações fenomênicas que
regem o mundo natural, ele é capaz de contemplar os objetos 'sup species
aeternitatis'; por outro lado, a percepção a serviço da utilidade, revestida
sob o manto da razão e da ciência, é, necessariamente, temporal,
inevitavelmente agrilhoada aos objetos e suas relações.
¹ Eu estou
ciente da completa falta de clareza de todas essas sentenças. Existem, de fato,
coisas que não podem ser postas em palavras. Elas fazem a si mesmas manifestas.
Elas são o que é místico.
² Sob a
forma da eternidade.
³ O
espírito é eterno enquanto apreende as coisas do ponto de vista da eternidade.
segunda-feira, 23 de agosto de 2021
"Introdução à Metafísica", M. Heidegger, 1935
''Quando o recanto mais remoto do globo tiver sido
conquistado pela técnica e explorado pela economia, quando um qualquer
acontecimento se tiver tornado acessível em qualquer lugar a qualquer hora e
com uma rapidez qualquer, quando se puder “viver” simultaneamente um atentado a
um rei na França e um concerto sinfônico em Tóquio, quando o tempo for apenas
rapidez, momentaneidade e simultaneidade e o tempo enquanto História tiver de
todo desaparecido da existência de todos os povos, quando o pugilista for
considerado o grande homem de um povo, quando os milhões de manifestantes
constituírem um triunfo – então, mesmo então continuará a pairar e estender-se,
como um fantasma sobre toda esta maldição, a questão: para quê? – para onde? –
e depois, o que? O declínio espiritual da terra está tão avançado que os
povos ameaçam perder a sua última força espiritual que [no que concerne o
destino do “Ser”] permite sequer ver e avaliar o declínio como tal. Esta
simples constatação nada tem a ver com um pessimismo cultural, nem tão-pouco,
como é óbvio, com um otimismo; pois o obscurecimento do mundo, a fuga dos
deuses, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odienta
contra tudo que é criador e livre, atingiu, em toda a terra, proporções tais
que categorias tão infantis como pessimismo e otimismo já há muito se tornaram
ridículas''
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021
Tudo ao redor pulsa
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