Escrevo
de um avião. Sentado, apertado, compelido à escrever pelo tédio. Motivado pelas
leituras que fiz durante a espera. 7 horas. 7 horas de atraso. Sai de Pelotas
às 4:00, sai, exatamente, da casa da Vivian, que me pediu que estralasse suas
costas. –Antes de ir, quero que estrale minhas costas – foi o que ela me disse.
E eu, aceitei, claro. Longe de mim rejeitar a oportunidade de abraçar seu
corpo, senti-lo. Gosto do prazer, do momento, da
vivência. Do sentido que o sexo dá as relações. Tá aí. O erro nas relações.
Pensar que sexo é amor, e assim em diante. Mas, não fujamos do assunto: Escrevo
a não sei quantos mil pés (nunca entendi como podem medir uma altura tão grande
baseado em algo tão pequeno). Pés¿ Por que não braços¿ Diminuiria a altura, e
nos daria uma sensação de estarmos, -mesmo que enganados- mais seguros. E o
tempo continua, não para, nunca. É inevitável, ousado, metido. Segue, indiferente.
Uma invenção da morte, que também é ousada. E enquanto segue, escrevo. Sem assunto, a não
ser pelo tédio. E, é claro, pela vontade de escrever. Seguramente me distancio
de Pelotas. É, rumo à Aracaju. À minha terra, onde cresci, onde cultivei
amizades, vivências, amores..espero não estar enganado sobre essa ansiedade que
é sempre amiga nas saudades. Sempre somos tão ansiosos. Acabamos esquecendo de
viver, em função de sermos aquilo que nem sabemos direito o que é. E enquanto
somos, procuramos, em vão, o motivo pelo qual somos. Sentido da vida¿ Vai
saber! Eu só quero mesmo é chegar logo. Rever minha família, tomar um banho,
café, beck. Já falei que escrevo de um
avião¿ Pois bem, engraçada essa coisa de escrever em avião. É relaxante,
terapêutico. Uma viagem para dentro de si, viajando para outro lugar. E nessa
máquina de metal a não sei quantos mil pés eu me perco, divago, sou meio louco,
meio poeta, meio infeliz, meio confuso, meio tudo. Um pouco de tudo. Um tanto
de nada. As pessoas conversam, baixinho, cansadas..todos desconfortáveis por
estarem num avião. Confortadas pela ideia de chegarem logo mais. Eis o que
vejo. –E o lanche que não chega¿ - Diz uma senhora, por sinal, faminta.
–“Quando ele chegar, o avião já vai ter aterrissado”. Lança outra, querendo
engendrar-se na conversa. E, por isso, percebo, de certa forma: Nordestino é um
bicho solidário. Podemos ser tudo, menos mesquinhos! Mal-educados, talvez.
Ignorantes¿ Quando necessário. Mas mesquinhos¿ Jamais. Ajudar ao próximo
–sobretudo se for nordestino- é regra geral. Menos quando se está no Nordeste,
pois estando lá, é cada um por si. Fora dele, somos todos irmãos. Companheiros.
Mas, voltemos ao avião, decidi escrever até a hora em que ele irá pousar. Ou
até a hora em que a bateria do notebook termine. 3hr25min restantes, é, dá para
escrever até o pouso. Mas o quê? Sobre o quê? Queria escrever algo filosófico,
afinal estou no curso de Filosofia. Apesar de que estou no primeiro semestre,
portanto a responsabilidade é menor. Eu acho. Né? E essas interrogações, que só
saem de cabeça pra baixo. Que coisa idiota. Notebook idiota. Dono estúpido. Mal
sabe virar a interrogação e já quer escrever até que o avião pouse. Pura
vaidade. Maciez intelectual. Ou, talvez, todo livro tenha um pouco de vaidade
de seu autor. É no desejo de mostrar ao mundo aquilo que todos enxergam e
poucos veem que são escritos os mais
belos livros, poemas, peças, sonetos, enfim..A vaidade é mãe da criação. Somos
todos vaidosos. Alguns mais do que outros. Tipo eu. Sou vaidoso, não apenas
intelectual como fisicamente. E não me incomodo disso, minha vaidade é auto
reflexão. Meu ego, um espelho. Ensimesmando-se critico-me. Elogio-me. Sou, de
todas as formas, um crítico de mim mesmo. E um vaidoso por consequência.
Narcisista também. Um pouco. Ou até muito, quem sabe. A verdade é que gosto de
escrever. E o senhor do lado que vira e meche olha o que escrevo dormiu. 18:07,
ainda temos mais uma hora e meia de escritos. Preparados¿ Pois eu não. Escrevi,
escrevi, e não produzi nada. Nadica. Palavras. Apenas. Palavras. Pequenas.
Palavras...(8) Soltas! Sim. Dispersas. Produzidas por meio de dedos velozes.
Anos de prática em games online e sites pornô. Que me ensinaram a usá-los. Ou
me enganaram a vida toda.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
O Ser
Todo segundo de vida,
é um segundo de perda.
E a indiferença, exposta no rosto do tempo
Denuncia a finitude.
Mas a consciência, que encarcera o homem
Defende-se contra o fatalismo,
Remanesce, gritando ao mundo:
Sou infinito.
Danilo Freire
é um segundo de perda.
E a indiferença, exposta no rosto do tempo
Denuncia a finitude.
Mas a consciência, que encarcera o homem
Defende-se contra o fatalismo,
Remanesce, gritando ao mundo:
Sou infinito.
Danilo Freire
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Nós, filósofos
Nós, que assistimos aflitos ao espetáculo da vida; não deixamos o véu da trivialidade cobrir o cotidiano; consternamos as almas cegas e as induzimos à razão; nós que não aceitamos de forma alguma ter o espírito crítico atordoado; inconformados pela existência vil que nos é imposta; nós, luxados, deslocados, inadequados, carregamos conosco o desejo de mudança, o medo da simplicidade e, sobretudo, o sentimento de pertence ao mundo:
Nós somos filósofos. E desatamos os nós da racionalidade..
Nós somos filósofos. E desatamos os nós da racionalidade..
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Um gole de carinho
Em olhares avulsos percebo a denúncia,
de dispersas almas sedentas por carinho,
balbuciam palavras, pobres prosas,
e em cada esquina um coração partido
reconstruído pela ilusão de um agora eterno
apostam em amores de porção, beijos sem sentido..
Não entendem direito o por que e o pra que,
mas enchem o copo e saltam as sílabas.
E eu, que sempre me julguei tão austero,
corrompo-me com um gole de vinho..
pois esta sede por amor
é uma sede de carinho.
E percebo a ironia, por um breve segundo:
Quem sou eu para julgar?
Se quando escrevo
escrevo de um bar..
de dispersas almas sedentas por carinho,
balbuciam palavras, pobres prosas,
e em cada esquina um coração partido
reconstruído pela ilusão de um agora eterno
apostam em amores de porção, beijos sem sentido..
Não entendem direito o por que e o pra que,
mas enchem o copo e saltam as sílabas.
E eu, que sempre me julguei tão austero,
corrompo-me com um gole de vinho..
pois esta sede por amor
é uma sede de carinho.
E percebo a ironia, por um breve segundo:
Quem sou eu para julgar?
Se quando escrevo
escrevo de um bar..
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Carência
Há de lembrar-se:
À míngua de carinho,
Olhe no espelho,
Veja que o outro,
De nada tem valor,
Se não der valor a si
À míngua de carinho,
Olhe no espelho,
Veja que o outro,
De nada tem valor,
Se não der valor a si
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Um navegante
Num mar de sentimentos
Encontra-se um navegante
Que de tanto perder-se
Hoje teme se encontrar..
Encontra-se um navegante
Que de tanto perder-se
Hoje teme se encontrar..
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Silêncio, um amigo
E esse silêncio extremo que perpassa o tempo e o faz durar, estende-se, e como uma sinfonia de suspiros faz-se transparecer. Como quem não quer nada, mas, por si só, diz tudo. E por um breve segundo de desapego eu entendo o silêncio; Percebo-o. Sinto-o. Vivo-o..
Não há coisa melhor.
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